Renda de Bilro | Patrimônio Imaterial de Florianópolis

Renda de Bilro | Patrimônio Imaterial de Florianópolis

Entre fios, bilros e tradição, as mãos das rendeiras tecem a história de Floripa & Região

Parte da identidade cultural de Florianópolis e Região, a Renda de Bilro teve sua origem na Ilha dos Açores. Transmitida de geração em geração pela forte influência açoriana, essa arte permanece viva como Patrimônio Imaterial da Grande Florianópolis.

Uma das mais marcantes expressões culturais da região, a tradição preserva saberes, histórias e a identidade de Florianópolis e Região.

Por que o nome Renda de Bilro? 

O bilro é uma pequena haste de madeira, que também pode ser de outro material, por onde se enrola a linha para trançar a renda. Com habilidade e precisão, as rendeiras movimentam e cruzam vários bilros simultaneamente, criando desenhos delicados que transformam fios em verdadeiras obras de arte.

A confecção da renda requer habilidade, paciência e atenção aos detalhes. Trata-se de um trabalho artesanal delicado, e para sua produção, são utilizados alguns materiais essenciais:

Almofada: Ela é coberta por tecido com cor neutra, para não confundir a visão da artesã.  

Pique ou Molde: Um papelão com o desenho do modelo a ser seguido, preso sobre a almofada.

Bilros: Hastes que servem para segurar e movimentar as linhas.

Alfinetes: Usados para fixar o desenho e prender a trama das linhas sobre a almofada enquanto o trançado é feito.

     

Entrelaçando arte, tradição e história

Reconhecida como um símbolo cultural de Floripa e Região, a Renda de Bilro é uma combinação de técnica, acompanhada de um processo artesanal e paciente. O trabalho artesanal consiste em entrelaçar os fios com o apoio de bilros, formando padrões únicos e detalhados.
Mais do que uma técnica artesanal, essa arte é uma expressão viva da história e da identidade cultural de Florianópolis e Região. Preservada na memória e nas mãos das rendeiras, essa tradição representa a herança açoriana que atravessa gerações, mantendo vivos costumes, saberes e histórias que fazem parte da nossa cultura.

     

Herança cultural que se transforma e impulsiona

Como forma de reconhecer e valorizar uma das tradições mais características da Grande Florianópolis, a capital sancionou, em 7 de Junho de 2026, a lei que institui o Selo de Qualificação e Certificação das Rendas de Bilro.
O selo será uma certificação oficial da procedência, qualidade e autenticidade das rendas produzidas artesanalmente no município.

Além de zelar pela identidade cultural da cidade, a proposta também visa impulsionar e valorizar o artesanato local.

A certificação oficial garantirá que as peças foram produzidas com técnicas tradicionais e práticas sustentáveis, ampliando a comercialização, inclusive em mercados internacionais.

    

Trançando memórias, tecendo histórias

A Renda de Bilro é uma lembrança autêntica e que não pode faltar na bagagem de quem visita a Grande Florianópolis. Levar uma peça consigo é carregar um fragmento da história, da cultura e da identidade da região.

A arte segue se renovando ao longo do tempo, seja no trabalho artesanal, nos eventos culturais ou na arquitetura que traz traços dessa história, como podemos ver no petit-pavé do piso da Praça XV e no telhado estilizado do bar-café do Largo da Alfândega.

   

Onde encontrar?

A arte mobiliza artesãos a participarem de feiras, oficinas e eventos públicos, como as rodas mensais no Largo da Alfândega, em Florianópolis.

Praia do Forte | Florianópolis

Fortaleza de São José da Ponta Grossa: O grupo de rendeiras iniciou as atividades no antigo quartel da tropa com a união da Universidade Federal de Santa Catarina e o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional, onde hoje se localiza um dos pontos de confecção e venda das Rendas de Bilro.
📷 @fortalezasdaufsc
🌐 fortalezas.ufsc.br
📍Serv. da Carioca s/n – Praia do Forte, Florianópolis

Santo Antônio de Lisboa | Florianópolis

Casa da renda: Região histórica famosa pela presença ativa de rendeiras tradicionais da cultura açoriana.
📷@casadarenda
📍R. Cônego Serpa, 30 – Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis

Mercado Público | Florianópolis

Armazém da Renda: Um dos principais pontos para apreciar o trabalho das rendeiras, e do Dinho Rendeiro, primeiro homem da cidade a exercer o ofício publicamente.
📷 @fundacaofranklincascaes
🌐
www.pmf.sc.gov.br
📍 R. Deodoro, 353-361 BOX 78 – Centro, Florianópolis

Centro histórico | Florianópolis

Casa da Alfândega (Galeria do Artesanato): Bem ao lado do Mercado Público, a histórica Casa da Alfândega abriga a Galeria do Artesanato Catarinense, um espaço oficial gerido pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC)
📷@fcc.cultura
📍Largo da Alfândega – Centro, Florianópolis

Lagoa da Conceição | Florianópolis

Casa das Rendas: Há mais de quarenta anos no mesmo local, a Casa Das Rendas traz a tradição da Renda de Bilro, transferida por gerações.
📷 facebook.com/casadasrendasfloripa

📍Av. das Rendeiras, 732 – Lagoa da Conceição, Florianópolis

Campeche | Florianópolis

Coletivo Casa das Rendas: Suas atividades acontecem na histórica Capelinha de São Sebastião, um dos ícones que preservam a história e a identidade do Campeche.
📷 @coletivocasadasrendas
📍 R. da Capela s/n – Campeche, Florianópolis 

Ribeirão da Ilha | Florianópolis

No centro histórico do bairro é possível encontrar algumas das rendeiras trabalhando nas portas de suas casas coloridas, além de lojas de artesanato que comercializam peças originais.
📍 Freguesia do Ribeirão

 Enseada de Brito | Palhoça

Casa da Cultura Açoriana: O espaço oferece oficinas e cursos da técnica artesanal, além de poder ver de perto as próprias rendeiras confeccionando e vendendo as peças.
📷 @casadaculturaacorianaenseada
🌐
seturpalhoca.com.br/casa-da-cultura-acoriana
📍 R. Mil Quinhentos e Sessenta e Dois, 78 – Enseada de Brito, Palhoça


Entre fios, memórias e tradição, a Renda de Bilro continua conectando passado e presente. Mais do que preservar uma técnica artesanal, as rendeiras mantêm viva uma herança cultural que ajuda a contar a história de Florianópolis e Região para moradores e visitantes.

Conhecer essa arte é mergulhar nas raízes açorianas que moldaram a identidade da Grande Florianópolis e seguem inspirando novas gerações.

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